Quatro cidades realizam a encenação das Cavalhadas entre os dias 7 e 10 de junho: Santa Cruz de Goiás, Posse, Jaraguá e Pirenópolis. Milhares de turistas são esperados para a festa que une a comunidade local para reviver uma tradição que atravessa os séculos, um patrimônio histórico, cultural e de fé.
O Circuito das Cavalhadas 2025 inclui 15 municípios goianos, que serão contemplados pelo apoio do Governo de Goiás, através da Secretaria de Estado da Cultura (Secult). Serão investidos neste ano, R$ 4 milhões em infraestrutura, divulgação, valorização e ações de preservação da memória.
Para o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, o Circuito das Cavalhadas é uma oportunidade turística para que o Brasil conheça a diversidade territorial e cultural de Goiás a partir da manifestação.
“São festas que atravessam o século em comunidades com força turística. E é isso que apoiamos, a profissionalização de um evento que dá visibilidade a Goiás e tem grande significado para nosso povo”, diz o chefe do Poder Executivo.
Para a secretária de Estado da Cultura, Yara Nunes, as Cavalhadas são um dos mais potentes símbolos da cultura de Goiás. “Este é um dos finais de semana mais intensos do Circuito das Cavalhadas. E com ela, damos início à movimentação de uma economia local que aquece o turismo, gera renda e fortalece o sentimento de pertencimento nas comunidades”, completa.
Inspiração
As Cavalhadas são inspiradas nos torneios medievais europeus, que simulavam batalhas entre cristãos (de azul) e mouros (de vermelho). A encenação se baseia no livro Carlos Magno e os Doze Pares da França, que narra a história dos cavaleiros leais ao lendário imperador franco.
No Brasil, a tradição remonta ao século XVII, frequentemente ligada às celebrações da Festa do Divino, sobretudo nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Santa Cruz de Goiás
7 e 8 de junho
Centro Cultural Tio Negrinho
A cidade dos casarões históricos e das belezas naturais é reconhecida principalmente por uma Cavalhada que completa 209 anos de atividades. A encenação teve início em Santa Cruz de Goiás em 1816, quando houve o pedido de permissão do vigário Gouvêa de Sá Albuquerque para correr cavalhadas na festa do Divino Espírito Santo no largo da Matriz. Os cavaleiros foram treinados por Haspasiano Dagomano. As Cavalhadas de Santa Cruz inspiraram que outras cidades da região da Estrada de Ferro também dessem início à tradição.
Posse
7 e 8 de junho
Estádio Serra das Araras
Terra do Poço Azul, um verdadeiro santuário natural de águas cristalinas, Posse realiza as Cavalhadas como parte da tradicional Festa do Divino Espírito Santo. O primeiro dia é reservado para a grande encenação do Teatro do ‘Rapto da Princesa no Castelo Cristão’. Já no segundo dia, no campo das Cavalhadas, é encenada a batalha entre mouros muçulmanos e cristãos.
Jaraguá
8 e 9 de junho
Clube das Cavalhadas de Jaraguá
São 192 anos de história das Cavalhadas de Jaraguá, que começou com o surgimento da Paróquia Nossa Senhora da Penha, em 1833, que deu início à Festa do Divino Espírito Santo na cidade. Os cavaleiros de Jaraguá também escoltam a Coroa do Divino na procissão da Entrada da Rainha e na realização da Missa solene, uma tradição que deu origem ao Encontro de Coroas do Divino Espírito Santo. As Cavalhadas em Jaraguá são acompanhadas pela histórica Banda Santa Cecília, presente desde o desfile até o campo de batalhas.
Pirenópolis
8, 9 e 10 de junho
Módulo Esportivo de Pirenópolis
A charmosa cidade goiana, roteiro de belezas naturais e gastronomia conhecida em todo o país, realiza suas Cavalhadas desde 1826, uma tradição iniciada pelo padre Manuel Amâncio da Luz. A encenação acontece após a Festa do Divino Espírito Santo e o giro da Folia do Divino. Após a missa solene há o levantamento do mastro e a distribuição dos doces tradicionais, alfenins e verônicas, de herança portuguesa. Há também a apresentação do grupo Pastorinhas, que traz personagens femininas, do Velho Simão e do pastorzinho Benjamim, num auto natalino incorporado às festividades do Divino Espírito Santo em 1923.
Nos intervalos da batalha entre mouros e cristãos, os mascarados, vestidos de bois, onças e outros figurinos, entram no campo de batalhas e saem pelas ruas da cidade brincando com o público e fazendo algazarras. Ao final, ainda há a competição das argolinhas e a despedida dos cavaleiros abanando os lenços. Em seguida, os cavaleiros partem em desfile rumo à Igreja do Bonfim para salva de tiros e agradecimentos, e tudo isso embalado pela belíssima apresentação da centenária e festiva Banda Phoenix.
Foto: Michelly Matos



